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RECORTES DA NOSSA HISTÓRIA: NATAL NA COLONIA.

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Palácio de Coburgo, Viena, Áustria, no frio dezembro de 1871: em carta à irmã, a princesa Isabel, a jovem princesa Leopoldina descrevia a paisagem açucarada pela neve e revelava o cotidiano da família real: “ocupadíssima com arrumações…vamos ao circo e depois comprar a árvore de Natal!”. Já era hábito, então, que o pinheiro ostentasse variados enfeites: fios de prata, bolas de vidro, pinhões dourados, pequenas maçãs suspensas em redes e toda a sorte de bombons. Velas de cera colorida ardiam durante o jantar e as crianças, bem comportadas, tinham direito a presentes. É só a partir desta época, que as elites começam a copiar, nos trópicos, os hábitos europeus. Cidade de São Salvador da Bahia, século XVIII: escravos apressados subiam e desciam as íngremes ladeiras que levavam da Cidade Alta à Baixa. Na cabeça, pesadas cestas com perus vivos, bolos e doces feitos em casa. No interior dos caçuás, seguiam bilhetes em papéis recortados, assim como os “presentes” eram envoltos em folhas cuidad...

RECORTES DA NOSSA HISTÓRIA: PEDRO HATES HANEQUIM – BRASIL: O EDEN É AQUI.

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Pedro de Rates Henequim, filho de mãe católica e pai calvinista, mediante complexos cruzamentos entre as religiões da sua infância, a cabala judaica e os mitos indígenas, ele criou uma fascinante e ameaçadora cosmologia que tratava, entre outros tópicos, da sexualidade dos anjos, da crença no poder das letras e da androginia da Virgem. Pedro de Rates Henequim chegou a Pernambuco em 1702 e logo em seguida se dirigiu às Minas Gerais, aos 20 anos, permanecendo no Brasil até 1722. Viveu nas regiões de Sabará, Ouro Preto e Serro do Frio, onde teria convivido com índios, escravos africanos, portugueses que viajavam pelo Oriente, e com as idéias milenaristas do Padre Antônio Vieira, difundidas na região através de manuscritos. Por volta de 1740, Henequim se arvorou em profeta e começou interpretações peculiares da Bíblia. "Graças à inspiração do Espírito Santo" , julgava perceber o imperceptível nas escrituras sagradas. Concluiu que Deus iniciou a criação do mundo pelo Brasil e ...

RECORTES DA NOSSA HISTÓRIA: ALEIXO GARCIA O PRIMEIRO EUROPEU A CHEGAR AOS ANDES.

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Em 1515, Aleixo Garcia embarcou na expedição comandada pelo espanhol Juan Díaz de Solís, que tinha como objetivo encontrar uma passagem para o Oceano Pacífico na parte meridional da América do Sul. A expedição ingressou do Rio da Prata e foi atacada por nativos da etnia guarani. O ataque causou a morte do comandante e de muitos integrantes da expedição. Os sobreviventes, comandados por Francisco de Torres, cunhado de Solís, decidiram retornar à Espanha. Durante o retorno, uma das caravelas naufragou em frente à Ilha de Santa Catarina. Em decorrência do naufrágio, 18 tripulantes (14 espanhóis e 4 portugueses), dentre eles Aleixo Garcia, ficaram na Ilha de Santa Catarina, aos quais se juntou um outro português de expedições portuguesas anteriores, onde se inteiraram da existência de "grandes riquezas" no interior do continente e de um rei branco. Em 1524, após viver entre os índios Carijós e escutar muitos relatos sobre uma “cidade do ouro” organizou uma expedição integrada...

RECORTES DA NOSSA HISTÓRIA: A LINGUA GERAL NO BRASIL COLONIA

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No Brasil Colônia os missionários portugueses que vieram ao Brasil com intuito de catequizar os povos originários entraram em um dilema como pregar a palavra de Deus para os índios sem usar o latim. O pragmatismo prevaleceu e houve a tradução da obra cristã para a língua dos índios principalmente o tupi. Nos primeiros esforços para traduzir algumas orações colaborou Diogo Alves, o Caramuru, naufrago que desde 1509/1510 vivia entre os índios da Bahia. A primeira gramática da Língua Geral no Brasil foi publicada em 1594, feita por José de Anchieta, jesuíta da região de São Vicente. A segunda é a de Luís Figueiras, publicada em 1621, e reeditada em 1687. Luís Vincencio Mamiani (1652-1730) escreveu uma gramática da língua indígena kiriri (já extinta, era falada em regiões do atual Nordeste brasileiro). Recebem o nome de língua geral, no Brasil, línguas de base indígena praticadas amplamente em território brasileiro, no período de colonização. A Língua Geral é uma língua "constru...

RECORTES DA NOSSA HISTÓRIA: A IMPRESSIONANTE VIDA DA MULATA MARIA BARBOSA.

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De acordo com testemunhas que a denunciaram, Maria Barbosa saiu de Évora, bastião dos jesuítas e da inquisição, degredada para Angola pelo crime de feitiçaria. O processo inquisitorial movido contra Maria Barbosa, número 3382, que possui 389 fólios, mulher parda – por vezes descrita como mulata por seus delatores, vendedora de pão, natural de Évora, casada com o ourives João da Cruz, está disponível digitalmente ao público no site do Arquivo Nacional da Torre do Tombo (ANTT): https://digitarq.arquivos.pt/viewer?id=2303336 . Era filha de Belchior Francisco, almocreve, e Antônia Barbosa, ambos pardos alforriados. Seus pais tiveram três filhos, sendo que dois haviam morrido, ficando apenas Maria Barbosa. Em Angola teria convido com contrabandistas europeus, traficantes de escravos, tendo sido novamente acusada de feitiçaria e alcovitagem tendo sido açoitada, pois a prática da adivinhação feita por Maria Barbosa através do alguidar com água era vista como pacto demoníaco. Novamente foi ...

RECORTES DA NOSSA HISTÓRIA: REVOLTAS INDIGENAS DA CAPITANIA DE ILHEUS.

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A Revolta mais conhecida é a do Engenho de Santana, que colocou em risco os investimentos realizados por Mem de Sá e seus herdeiros – sua única filha, D. Filipa de Sá, e seu marido, Fernando de Noronha, o 3º Conde de Linhares e o último herdeiro em linha direta dessa família – e pelos demais sesmeiros e colonos na vila e seus arredores. A documentação sobre a revolta encontra-se na Torre do Tombo, Cartório dos Jesuítas, Maço 15, nº 4, 18/11/1603, apensada ao Laudo Pericial sobre as terras de Olivença pela pesquisadora Susana Viegas. A revolta como muitas desse período do inicio da colonização guarda relação com a escravização de índios. Segundo o padre Manuel da Nóbrega, dois índios haviam sido assassinados e outros reagiram matando dois ou três moradores e assaltando uma roça. A repressão teria sido brutal: destruição de aldeais, morte aos revoltosos, mesmo daqueles que se refugiaram no mar. Daí o nome de Batalha dos Nadadores. Hoje, o episódio foi apropriado pelos Tupinambás de O...

RECORTES DA NOSSA HISTÓRIA: ZOROBABÉ, O 1º ÍNDIO PRESO POLITICO A SER EXILADO.

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A colonização do Brasil pela experiência das capitanias hereditárias resultou em um grande fracasso para os portugueses e muito disso se deve às revoltas indígenas. Apenas duas capitanias prosperaram: Pernambuco e São Vicente. Os potiguaras que dominaram do litoral da Paraíba ao Ceará no inicio da colonização foram aliados dos franceses na exploração do pau brasil e posteriormente dos holandeses,   tendo sido um povo que depois de muitas guerras aceitou fazer a paz com os portugueses, em 11 de junho de 1599 em Olinda, em que Poti, líder potiguara, e o governador Feliciano Coelho de Carvalho firmaram o pacto com a presença do franciscano frei Bernardino das Neves. Um dos caciques potiguaras famoso foi Zorobabé, da Serra de Capaóba, posteriormente chamado a lutar contra os Aimorés, no sul da Bahia em 1602, juntamente com seu irmão o cacique Pau Seco, tendo levado consigo 800 guerreiros. Depois teria ajudado também na destruição do Quilombo do Itapecuru do complexo de Palmares. ...